CONTO DE NATAL : LEMBRANCINHA.




No dia 23 de dezembro à tarde, aquela mulher recebe via Sedex, uma encomenda dos correios numa caixa branca e bem lacrada.
Ansiosa apressou-se a abri-la e então viu três peças embrulhadas e uma a uma tirou dos invólucros. O que antes era contentamento,fantasias,imaginação à flor da pele torna-se então, uma perfunctória,rasa e indesejável decepção. Aquela mulher no auge dos seus 57 anos recebera três presentes, todos eles coisas muito baratinhas, destes que detestava, pois, esperava o que,é normal nos seres humanos, sempre mais e muito mais, porém ali, estava uma bonequinha de plástico, muito tosca, com uma roupa simplória, cabelos vermelhos e botinhas de plástico.
A bonequinha era muito magra e alta, imitação brega e mal acabada da Barbie.
Outro invólucro trazia uma bolsinha de pelúcia pequena e rosa, coisa mesmo de menina, com uma borboleta desenhada em tom mais escuro, e ainda, quatro elásticos prendedores de cabelos.
Finalmente, sob o sofisticado nome de Cooking Kitchen Set, um conjuntinho de peças também de plásticos, todos na cor prata, sendo que uma delas era a imitação da boca de um fogão, outra uma escumadeira, garfo e colher, além de uma panelinha e frigideira. Enfim, tudo coisa bem baratinha, para aumentar ainda mais a irritação daquela exigente cinquentona. Seu primeiro impulso foi o de xingar com alguns palavrões e a seguir quis saber o nome do remetente e lá estava:Jesus Cristo.
Ao voltar a remexer a caixa, viu que no fundo estava uma pequena cartinha onde se lia:
-“Não a culpo por não acreditar em mim. Mas na proximidade do dia do meu nascimento - data esta que você contesta e diz ser somente invencionices e coisas dos homens - estou enviando simples e baratíssimas lembrancinhas que você pediu e ganhou dos seus pais há exatos 54 anos, atrás. Lembrou-se? Espero que sim, pois,naquela época pude constatar a alegria nos seus olhos, seu nervosismo ao abraçar demoradamente seu bom paizinho e sua mãezinha querida, dizendo sem parar: bigada,bigada,bigada.
Você só tinha 3 aninhos e espero que ainda esteja pensando nos seus pais com a mesma alegria e satisfação daquela época, apesar das coisas baratas agora terem se tornado uma praga para você.
Eu estou fazendo a minha parte para que, ainda possa viver muitos e muitos anos e mesmo não acreditando em mim, nem ligo, pois eu acredito em você. Passaram-se muitos anos não é? Muitos ainda virão. E se neste momento, apesar de não estar ganhando as casas, os carros do ano dos seus sonhos, aquele anel de jóia rara tão desejada, reconheça que estas lembrancinhas, um dia a fizeram intensamente feliz.
Quer continuar a ser feliz como naqueles tempos? Viva cada segundo da sua vida, sem pensar no que perdeu um dia e sim, naqueles muitos anos de vida que ganhou desde aquele Natal e nos tantos outros que, ainda irá viver.
A vida, esta sim, é o verdadeiro milagre que deve extasiá-la. Não fique fazendo contas para a morte, isto jamais será você quem irá determinar. A motivação para viver é a lembrancinha maior que deve preservar, pois, não é cara, nem barata, nem coisa nenhuma, é tudo!
E caso venha a aceitar o meu pedido, imitarei você quando era bem pequena, repetindo: bigado, bigado, bigado!”



SÓ TRÊS COISAS QUE EU QUERIA,VOCÊ JAMAIS ESQUECESSE!








Não vou pedir demais, afinal você não merece ter tantas preocupações assim, a meu respeito.
Portanto, só lembre o essencial, aquilo que poderá fazer com os pés nas costas, sem muito esforço,sem precisar ocupar-se demasiadamente, afinal, repito, não tenho o direito de alugar sua vida.
Sei que poderá cumprir este mínimo que lhe peço, em nome de sua habitual generosidade , atenção e contumaz carinho.
Portanto só lhe peço que:

1- PENSE EM MIM 24 H POR DIA.



2-POR TODA A ETERNIDADE.



3-E SÓ AS COISAS BOAS QUE ACONTECERAM,ENTRE NÓS!



Viu? 
Tenho certeza que você poderá me atender,afinal todo o resto interessa somente ao passado e soterrado pelas nossas continuadas vontades de sermos muito melhores do que fomos.
O nome disso continua sendo: Amor!

SÓ DOIS BRAÇOS.


                                               
 Não se trata de discutir apenas a falta que alguém faria ao outro, importante é saber, também, se o custo emocional desta ausência valeria o investimento neste esticar do elástico afetivo, pois, se ele se rompe imediatamente, machucará ao voltar para as mãos e as pontas dos nossos dedos e pronto!
Mas se demora e isso não acontece, ficaria faltando braço para continuar a distendê-lo de forma cansativa e infrutífera e nestas situações o melhor é deixar e lutar porque os braços não crescem depois de adultos.
Em algum momento nas nossas vidas até  gostaríamos de sermos polvos, com múltiplos tentáculos e com estes muitos braços irmos tentarmos romper com o vinculo através de múltiplas opções de tentativas de arrebentarmos estes elásticos que, nos prendem um ao outro.
Mas, afinal o que estamos querendo?
Estamos precisando inventar, tais como gênios das descobertas o difícil problema de fazer o mais pesado que o ar voar, como fez Santos Dumont ou querer explicar através da física porque os corpos caem para baixo, como demonstrou Isaac Newton e sua lei da gravidade?
Quando se tenta o afastamento de alguém ao qual nós amamos e, por centenas de justas e inequívocas necessidades nos convencemos a cada nova situação de desentendimento que “não dá mais e ”já era” sem o mínimo de vontade de continuar tentando mais um pouco, deveríamos lembrar-nos da síndrome do acaso inesperado que os maiores gênios da humanidade viram explodir na frente dos seus olhos e só assim, conseguiram seus objetivos.
Por volta de 1870, o químico Felix Hoffman usava o fenol para combater as infecções o que demonstrou ser inútil, porém o extrato da planta que ele usava nos pacientes diminuía a febre e a dor, agora atribuída a um sal chamado acido acetilsalicílico, batizado de aspirina.
Neste acaso que fazia baixar a febre e a dor, não podemos também duvidar que possa vir a nos fazer uma surpresa quando as pontiagudas sensações de desespero fazem que, acreditemos que deveríamos parar de lutar contras as dores artríticas e indesejáveis de um amor que como a nau em pleno oceano revolto começa a fazer água e aparentemente tende afundar?
È sempre bom darmos algumas novas chances, lutarmos por alternativas e procurarmos, acreditando que, uma agulha num paiol perdido pode ser sim, achada, se nos espeta o pé ao acaso e isso prova que, uma dor circunstancial pode ser a descoberta de novas soluções que irão determinar novas e prazerosas experiências.
O amor, às vezes, aposta no outro extremo e procura soluções em situações incomuns e opostas, até mesmo inoportunas, mas se alguém tiver por aí a fórmula do amor e o do amar perfeito que, atire a primeira pedra.
E não vale ser polvo nesta situação, pois, talvez de tantas que poderá atirar, é provável que possa vir a ser soterrado por elas mesmas!
Como vêem ter só dois braços fica melhor para abraçar depois que o elástico não arrebenta.


UMA CHANCE...A ÚLTIMA!

                                    

Casais que conversam, colocam seus questionamentos, dizem isso e aquilo, aquilo e aquilo outro, estão vivos e flutuam nas espessas espumas do querer acertar, tentar rever, antes de achar que, definitivamente afundaram.
No amor as espumas podem ser muito sólidas, fortes, indestrutíveis se a intenção de quem caminha sobre elas for encontrar soluções que sejam para reconstruir, remodelar, reencontrar verdadeiros objetivos.
Nestes casos as espessas espumas do amor exalam a fragrância dos mais conceituados perfumes e resistem muito mais ao caminhar de corpos esperançosos e necessitados do que resistiria uma laje fria de concreto do desamor ou tanto faz!
Pessoas assumem sua dimensão humana no reconhecimento dos erros de um lado e alicerçam-se na possibilidade de perdão do outro.
Está aí um binômio que nos torna humanos, melhor, mais maduros e que nos faz crescer, refletir e esperar que o reconhecimento de alguns tantos erros acumulados recebam o beneplácito de mais uma chance, talvez a ultima, porém, mais uma oportunidade que o faça transcender na atitude metapsíquica imprescindível das superações que é exatamente, quando provamos o quão distantes ficamos dos macacos.
É assim que derrotamos também, outro binômio relevante e encontrado às pencas, como uvas em cacho dos desentendimentos afetivos e que se refletem e deságuam na poderosa ambivalência do amor e ódio, do ódio que é amor, do amor que odeia.
Amor e ódio que aqui tem o som da marcha compassada do ir e voltar dos êmbolos que fazem movimentar as rodas das tradicionais locomotivas Maria-fumaça.
Onomatopeia necessária!
Sempre aprendemos muito quando reciclamos o que de ontem ficou passado, azedo, insuportável e agora entendido diferente adquire o leve sabor inconfundível dos mais        variados sorvetes de iogurte.
Para quem gosta é um manjar dos deuses!
Temos que dar forma aos mais novos movimentos e crer nas possibilidades que, nos acenam os novos anjos e arcanjos quando nos apontam para outros diversos céus de circunstâncias e cheios de graça sem senhores benditos a dominar, nem senhoras a lastimar.
Faz-se a luz, remonta-se o insubstituível palco da vida e quando se abrirem as cortinas o respeitável púbico em sinal de extremada e confiante boa vontade antes mesmo que, qualquer personagem coloque a primeira fala do seu texto para fora, aplaudirá de pé, por conta, antecipadamente, crédito necessário de quem torce a favor, querendo um momento mágico daquele ato de reencontro com o amor.
E no interior das densas florestas gnomos sorriem e  nas mais longínquas partes do infinito mundo de nós dois, algo, alguém, um ser, ou não, com ou sem forma, etéreo ou concreto, eterno ou passageiro, olha para baixo e acredita mais vez que valeu à pena a criação.

FIQUE FORA DESTA PETER!

                                    


A saudade é uma punição que salga o corpo ferido pelas chicotadas da distância, irrita-se com qualquer sorriso de boca alheia, fecha os olhos para os céus azuis, ignora sois de quaisquer outras galáxias e quer apenas como as carpideiras, chorar sobre o rosto do corpo que não lhe devota mais o amor de antes.
A saudade do amor é,portanto, de uma crueldade indefinida,pois,não conseguimos dimensionar nunca a possível duração do seu tempo e intensidade,tampouco a virulência com a qual ela irá continuar a infectar os tecidos abertos da epiderme dos nossos sentimentos e, no ponto mais exato das nossas fragilidades,com aquela flecha certeira de ponta envenenada.
Maldito cupido!
No entorno, ousam nos dar conselhos das mais variadas origens.Os ouvimos,mas não seguimos nenhum.
Que intrusos!
Como podem querer adjetivar sentimentos, criar tempos de verbos salvadores, marcarem dia hora da libertação, jogar cartas misteriosas de um tarô desmoralizado pela força das nossas negativas em compreender seus métodos falaciosos ou jurarem de pés juntos que os astrólogos não aconselham isto ou aquilo, esquecendo-se que, o recente desalinhamento dos astros desarrumou e bagunçou também, esta farsa.
Quem então?
As cartas. Cartas sim! 
E só aquelas mergulhadas na essência  do perfume do sofrimento o qual guardamos em vidros coloridos avermelhados,azulados ou em outros com a síntese de todas as cores,como merecem as fragrâncias valorosas nascidas daquele arco-íris nascidos desta saudade safada.
E-mail, nem pensar, só cartas de papel para serem tocadas e sentidas por aquelas mãos distantes, mas que, ainda há pouco eriçava nossa pele com um simples toque,tornando alegres todas as partes que percorriam em nosso corpo com mágicos movimentos que, repercutiam sempre nos átrios da anatomia morfológica deste poderoso músculos que aqueles que nunca amaram chamam simplesmente de cardíaco.
Quem tem músculo cardíaco e o mais infeliz dos seres porque nunca amou. Quem ama só conhece a palavra coração e mais nada.
E nesta saudade especifica do amor ficam as lembranças de outonos desfolhados seguidos pelas primaveras mais coloridas das nossas vidas que, sempre se desnudavam no verão dos nossos desejos e cobriam-se nos sonos reparadores dos invernos exaustos dos nossos corpos,depois de contorcidos em mágicos malabarismos de prazeres.
Delírios eternos em tão poucos segundos.
Enfim, estão represadas estas águas volumosas de saudade neste dique o qual torço que, um dia possa vir a romper-se e que, Peter o menino herói holandês não esteja por perto para colocar seu dedo no furo que espero se transforme em um imenso rombo ao despedaçar-se.
Não tente impedir novamente, apesar de ficado ali a noite toda em vigília para que, seu país, como conta a lenda,não inundasse.
Agora a água da saudade devera escoar toda,seguir o seu curso e assim, deixar secar qualquer vestigio deste momento inútil.


FÁBULA DA LIBERDADE E DO MEDO.

                                               


Local: Infinito das contradições.
Personagens: Liberdade e o medo.


Medo-Tenho certeza que você me sufoca,domina,controla, cobra, exige,aprisiona,cerceia...
Liberdade-Não era para ser assim.
Medo-Pois é, nem sei explicar, mas me sinto do seu lado aprisionada, sem assunto, sem graça.
Liberdade - Você já nasceu assim?
Medo-Assim como?
Liberdade - Sem estar acostumada a conviver com a liberdade?
Medo - Eu sempre fui livre.
Liberdade-Não perguntei isso.
Medo-Então perguntou o quê?
Liberdade-Se estava acostumava a conviver com a liberdade.
Medo- Já respondi.
Liberdade- Não você disse que sempre foi livre
Medo-E qual é a diferença?
Liberdade- Muitas pessoas são livres para viverem presas.
Medo-Isto é jogo de palavras
Liberdade- Não isto é um jogo fatal que a vida as impõe
Medo-Livres para serem presas?
Liberdade – É!  Livres para serem presas.
Medo- Eu vou pra onde eu quero.
Liberdade - Isto não é liberdade, é movimento, pois, vai sempre para onde deve ir.
Medo- Eu faço o que eu quero.
Liberdade- Isso é trabalho.
Medo- Complicou.
Liberdade - Quem tem sempre que fazer alguma coisa, não é livre, sinônimo de liberdade é o de não fazer, também.
Medo- E por que você está me dizendo isto e desta forma?
Liberdade-Simplesmente, porque estou falando com o medo.


Moral da história: Liberdade é saber dialogar com o medo.

PARA QUEM ACREDITA QUE COLHEMOS O QUE PLANTAMOS!

     

As injustiças sociais, no Brasil e no mundo parecem caracterizar de forma indiscutível a irresponsabilidade, arrogância, soberba e egoísmo da raça humana.
Somos animais gregários, absolutamente desagregados nas nossas intenções, principalmente,quando estamos no lamacento jogo dos interesses econômicos dos indivíduos em particular, e das nações em geral.
É histórica a existência de poucos que se bastam na opulência financeira e o resto do mundo que, vive em situação precária de mera sobrevivência e constrangedora situação.
A falta de consciência de homens e nações em não perceberem que habitamos todos nós, um só planeta e que não há saída de emergência exeqüível para nenhum outro lugar do sistema solar em situações reais de grandes catástrofes, é que me faz ficar abismado, como pode haver tanta insensibilidade no trato entre os humanos.
Esqueçamos as ideologias políticas, os partidos, as crenças religiosas e sejamos práticos ao considerarmos que os maiores ameaças de destruição da vida na Terra, tem vindo exatamente das nações as quais, os donos do mundo tem negado o mínimo de dignidade para a sobrevivência dos seus habitantes.
O que as grandes corporações financeiras e as nações desenvolvidas fazem com o continente africano é de uma desumanidade explicita, por mais que sejam noticiadas e fotografadas as imensas barrigas de crianças africanas e suas cabeças deformadas e desproporcionais ao resto do corpo. 
Esta é  a conseqüência de distrofias pluricarenciais nutritivas, sinônimo de estado de pré-morte por fome!
Mesmo assim, os donos do mundo ficam impassíveis a não ser, vez por outra demonstrando hipócrita solidariedade com a divulgação demagogica de algum bilionário sorridente, dando alguma esmola àqueles povos de um continente esquecido.
O que, no entanto, os donos do mundo e do capital estão aprendendo é o fato de que, exatamente é desta região do mundo, a qual estão dizimando, é que estão vindo as constantes e maiores ameaças de doenças, espalhando-se por toda a humanidade que já sente-se refém de sérios pesadelos e comprovadas possibilidades de autênticos holocaustos humanos.
Foi assim com a Aids, está sendo assim com o Ebola.
É como se a virulência dos agentes infecciosos destas doenças estivessem querendo lembrar através da sabedoria da natureza de que, só colhemos o que plantamos!
Seria muito mais inteligente que houvesse uma melhor distribuição da renda mundial, para que evitássemos que, dos corpos daqueles cuja imbecilidade financeira está fazendo que apodreçam, infestem democraticamente, o resto do mundo com a possibilidade da mesma morte que os ameaça e a qual eles vêm sendo submetidos há muitas décadas.
O nome disto é globalização das pestes.
A solução? Viver e deixar viver.
E para uma constante reflexão da humanidade,quem sabe, estudar como lição de casa o fato de que a Lei do retorno é inevitável.

CAINDO NA REAL.

Às vezes me pego insatisfeito tecendo mentalmente minhas agruras,imperfeições e tentativas continuadas de ser sempre um cara melhor e mais aceito.
Isso cansa!
Cansa como um motor de um carro do qual, sempre lhe é exigido um desempenho perfeito e altas velocidades em curvas perigosas e pouco compensadas sujeitas a derrapagens inevitáveis.
E se derrapo, derrapei e pronto!
Não posso ficar culpando os pneus da minha impulsividade, a falta de freios do meu temperamento, afinal quem está na estrada é para rodar.
E se rodopio fazer o que não é?
Faz parte!
Cheguei a sonhar que era Zeus!
Mas quando descobri que, no Monte Olimpo das minhas fantasias até Hera a mulher dele, deusa do matrimonio, do parto e da família tinha abortado a ideia do seu deus-provedor ter mais filhos,fiquei meio constrangido.
E mais:Que ela estava querendo na verdade era uma relação colorida com Apolo que a rechaçava porque estava interessado mesmo em Dionísio,pelo qual nutria uma grande e inconfessável paixão e que, até Afrodite andava trocando o amor pela guerra,fazendo acordos escusos com os fabricantes de armas romanos,então pensei com meu umbigo:
-Que canal estou assistindo?
Nem precisei de respostas, pois, todos os canais sejam os abertos ou os fechados levam a gente a ficar atualmente, a não ver o final do túnel.
Então me senti menos culpado pelos meus erros contumazes, minhas transgressões circunstanciais, aquelas imaginações e intenções menos nobres e ser obrigado a reconhecer mais uma vez de que eu sou aquilo que deixaram.
Quantos tsumanis eu quis impedir com a minha impotência e pequenez perante aquele mundo d’água e destroços levando tudo?
Quantos vulcões tentei abafar com minhas mãos inúteis para que, as cidades de Pompéia dos amigos e que, embaixo dele habitavam não virasse pedra-pomes?
Imaginem minha soberba,querer aplacar a fúria dos nossos Vesúvio existenciais!
Foram tantos os meus insucessos que adotei agora e como meu filósofo de cabeceira,o brasileiro e meu xará, Paulo Guiraldelli quando diz:
-“Fracassados e medíocres, dou-lhes o mundo.”
Quer saber?
Realmente, o mundo era tudo o que eu queria!

MORRO AZUL DO TINGUÁ.

ONTEM, MUITO ONTEM.

HOJE.



Que pena!
Meus melhores momentos não serão eternos
A infância deveria ser eterna sempre que nela contivesse a saudade que sinto do ar que respirava na época que usava calça curta e do respeito que um caboclo de pé no chão de Morro Azul do Tinguá dispensava a quem quer que por ele passasse com um humilde,recatado e simples cumprimento de educação.
Balançava a cabeça e desejava o bem, de acordo com a hora do dia!
Morro Azul do Tinguá é o segundo distrito de Paulo de Frontin e o terceiro é Sacra família, no entanto, é o primeiro na minha alma e dentro de tudo aquilo que, me faz ter após tantos anos uma absoluta e integra imagens de meus pais e meus irmãos quando por lá passávamos nossas férias escolares.
Não tenho mais meu pai, nem minha mãe.
Não tenho mais nenhum dos meus outros dois irmãos.
E pensar que todos nós,por lá nunca encontramos cassinos, aeroporto,shopping Center nem imensos edifícios,porem andávamos todos de mãos dadas pelo meio dos dormentes da estrada de ferro.
Todos de mãos dadas.
Naquele pedaço do Rio de janeiro que permanece quase esquecido e por onde passava uma estrada de ferro que ia até vassouras, tudo continua muito pouco urbanizado, apenas o essencial, apenas o mínimo necessário.
Se vocês olharem à direita deste blog verão todas as fotos  do que eu vivi na minha infância e o que, não conseguiu morrer até hoje na minha lembrança.
É por esta razão que tenho muito medo de morrer.
Eu não queria nunca esquecer aqueles melhores momentos da minha vida e que, eles jamais deixassem de ser eternos.
Só isso.
Que pena!



UM HOMEM SIMPLES DE ATITUDES EXTRAVAGANTES.






Se veste de chita, e bem linda pra mostrar pra Maria que você é mais bonita.
Não esquece o adereço e prenda-o neste seu cabelo da cor de uma mulher vivida de sonhos fartos e de rosto tão menina. Coloca vai, eu peço, de lado neste cabelo, acima da orelha, deste meu rosto de menina, e se lembra que  pedi uma rosa amarela?
Mas não chore de emoção quando se vir tão diferente!E eu sei o quanto você muda com um lindo vestido de chita, mas se chorar borra a maquiagem e machuca minha alma e ela é o céu que lhe prometo todo dia.
Quer ficar sem céu? 
Mas, se vista de vestido de chita longo, desses que vão aos pés e ao andar deve-se segurar um dos lados e puxar para cima, elegante e sestrosa a triunfar sensual e brejeira pelos palcos das ruas extasiadas pela beleza que, sua chita no seu corpo provoca.
Rodopia e levanta a saia, mas não mostra muito as pernas. São minhas. Nem é ciúme, mas gosto sempre de cuidar muito de tudo que me faz feliz.
É isso!
Suas pernas fazem parte do seu corpo, e no seu corpo não está o seu rosto e acima dele  a sua cabeça com seus cabelos de prata vividos que, agora abriga uma rosa amarela.
Então, perceba que quando protejo as suas pernas eu estou cuidando na verdade é do conjunto da obra, do todo no qual eu me envolvo e nunca adormeço com medo de você levando-se, ir junto com seu vestido de chita.
Faz de mim, então encanto e me desanda com estas estampas de cores fortes e personalidades únicas em suas tramas no simples tecido de morim.
Você e ele cativam pela simplicidade e lhe quero dentro dele, pois, a leveza que iras sentir nele será exatamente aquela mesma que eu sinto em você de se estar dentro de si mesma.
Poções mágicas transformadas em cores vibrantes.
Projeção do humanismo dos seus olhos e de como eles conseguem ver o próximo, sem  nunca precisar de óculos cor de rosa ou rótulos de etiquetas de fábricas ideológicas ou tão pouco da assinatura  de nenhum famoso estilista para consagrá-lo com a sua grife.
Este modelito de chita jamais desfilará ou será iluminado em nenhuma passarela de qualquer Fashion Week  porque não são dos aplausos de reconhecimentos efêmeros que ele necessita.
O que ele precisa é de que eu o sinta em seu corpo e do seu corpo eu o tire.
E agora embaralhado no sofá ao lado ele terá muito mais cor, brilho e beleza, pois saberá que afinal, cumpriu sua finalidade e ira esperar vestir você novamente, para começar tudo de novo.
Ele adora vestir você para que eu possa despi-la!

MEUS ESCONDERIJOS.


Sempre me pego colocando em você os meus medos, minhas fraquezas, minhas inconveniências, covardias a falta de tudo que não vejo em mim e que não falta em você.
Quando critico você por estar sendo mais realista que o bom senso indicaria com relação a cuidar da sua saúde, caio em mim e esborrachando-me no chão da minha maricagem verifico o quanto isto me leva a ser relapso, comigo mesmo quando seria, exatamente, no seu exemplo que deveria me inspirar exorcizando minha incompetência para ver as probabilidades boas ou más das coisas, diagnosticadas.
Uma vez ouvi dizer que o homem era frouxo.
Acho que acertaram!
Mas creia que, tantos cuidados disto ou daquilo com o corpo, me fariam parar de funcionar, fariam me sentir um ectoplasma, metamorfose etérea de uma antiga entidade de carne e osso agora vagando entre os espaços que separam a vida na terra, daquela outra prometida lá em cima.
Vivo então a síndrome do faz-de-conta que tudo está perfeito.
Sofro só em pensar o contrário disso e por esta razão finjo que sou imortal.
Não deixo descobrirem em mim, o que não me interessa.
Acho que repetiram muito nos meus ouvidos e pelos mais diferenciados motivos aquela frase de quem procura acha.
Não quero achar.
A vida humana é uma grande peça teatral na qual alguns personagens estão  determinados pela lógica da trama e do roteiro estabelecido, a deixarem primeiro a cena.
Por esta razão fico sempre me escondendo na coxia do palco, nos seus bastidores, relutando em entrar para representar o inevitável, a fala, o texto, pedaços que irão consumir a vida da minha performance e então,tento me resguardar do inevitável,não entro, mesmo sabendo que isto pode prejudicar toda a trupe.
Sim, pois afinal, viver é repartir, assumir responsabilidades, dividir as mesmas ações que protegerão ou evitarão pegar os outros de surpresa.
Surpresas indesejáveis, pois a vida é uma armadilha.
Sempre nos oferece o sol que brilha sobre as nossas cabeças, a lua tenra que ilumina as noites, a sonoridade hipnótica de um pingo d’água batendo numa lata velha em dias de frio e chuva, o voar daquele pássaro que nos encanta, a lembrança de lugares que nos arrebatam e a inocente boca banguela de um bebezinho sorrindo.
É isto tudo que me faz um covarde para descobrir o que seja nestas minhas vísceras vividas e que, possam representar para não sei quando, uma ameaça que irá me impedir de continuar vivo.
Mas pensando bem, com coragem de sofrer um pouquinho agora, quem sabe se prolongue mais, tudo aquilo que eu amo tanto na vida.
Inclusive a presença de você.

   

DOR DIVIDIDA

                                                       
É como fosse um corpo só,desenhado no desejo de quem ama de ser único apesar de dois.
O que sente um corpo o outro responde.
O que dói num corpo dói no outro.
Não há jeito de anular estas sensações que avançam e sabemos serem do outro, mas na verdade o outro, somos nós que amamos aquele outro.
Que armadilhas este tal do amor nos arma.
Anda e desanda na lógica formal das coisas, Cartesianas rígidas, contrariando princípios de todas as ordens, matizes, referencias ou significados.
Amor que endoida, faz ficar bom, acerta e erra sem saber e querer, não olha para lugar nenhum além de só um rosto, olhos, sorrisos, boca.
Boca que se abre e beija,aproxima-se e afasta-se,gruda,desgruda,abençoa e critica, mas a boca que mais gostamos: Morde!
Olhos que tudo vêem e de soslaio recriminam, abertos e lacrimejantes se emocionam, cerrados e franzidos nem querem ver o que lhes causaria dor, como a dor que o outro sente.
São dois um só. É um que ficou múltiplo, mas dividido em tantas vontades de estar colocado e dentro, não suporta a ideia de serem dois e, se admite, não entende e se entende, não quer e, quando dois não querem ninguém deixa de ser um só.
Sofrimento do outro que sofre na gente, dores de qualquer natureza e etiologia que começa lá e termina aqui dentro do nosso coração.
Ser dois num só é o que dá!
Mas, como desvencilharmos desta predestinação mágica de sermos um e termos tudo de dois?
Beco sem a saída, estrada enfeitada de montanhas e todas parecidas como se fossem todas, uma só, também.
Cheiro de mato, cor de vazio, sentimento de estarmos agora um só e nem ligarmos para tantos braços e pernas que, contrariam esta fantasia mais forte.
Não sinta o mal, ele ressoa dentro de mim, não tenha dor de nada, dor de nada eu não sentiria em lugar nenhum,também.
Não tem jeito,o que em você existe,existe como projeção em mim e aquilo que em você ferve, queima na minha pele.
Se fosse possível pedir alguma coisa hoje eu pediria que, você nunca sofresse, afinal se é para eu sentir que, seja direto, reto e sem desvios, logo em mim.
E se eu vou sofrer mesmo com o seu sofrimento, então porque não sofrer logo eu sozinho,no seu lugar!
Queria que fosse assim!

SÓ DOIS BRAÇOS.

                                                                          


 Não se trata de discutir apenas a falta que alguém faria ao outro, importante é saber, também, se o custo emocional desta ausência valeria o investimento neste esticar do elástico afetivo, pois, se ele se rompe imediatamente, machucará ao voltar para as mãos e as pontas dos nossos dedos e pronto!
Mas se demora e isso não acontece, ficaria faltando braço para continuar a distendê-lo de forma cansativa e infrutífera e nestas situações o melhor é deixar e lutar porque os braços não crescem depois de adultos.
Em algum momento nas nossas vidas até  gostaríamos de sermos polvos, com muitos tentáculos e, com estes muitos braços irmos tentarmos romper com o vinculo através de múltiplas opções de tentativas de arrebentarmos estes elásticos que, nos prendem um ao outro.
Mas, afinal o que estamos querendo?
Estamos precisando inventar, tais como gênios das descobertas, o difícil problema de fazer o mais pesado que o ar voar, como fez Santos Dumont ou querer explicar através da física porque os corpos caem para baixo, como demonstrou Isaac Newton e sua lei da gravidade?
Quando se tenta o afastamento de alguém ao qual nós amamos e, por centenas de justas e inequívocas necessidades nos convencemos a cada nova situação de desentendimento que “não dá mais e ”já era” sem o mínimo de vontade de continuar tentando mais um pouco, deveríamos lembrar-nos da síndrome do acaso inesperado que os maiores gênios da humanidade viram explodir na frente dos seus olhos e só assim, conseguiram seus objetivos.
Por volta de 1870,só para citar uma. o químico Felix Hoffman usava o fenol para combater as infecções o que demonstrou ser inútil, porém o extrato da planta que ele usava nos pacientes diminuía a febre e a dor, agora atribuída a um sal chamado acido acetilsalicílico, batizado de aspirina.
Neste acaso que fazia baixar a febre e a dor, não podemos também duvidar que possa vir a nos fazer uma surpresa, quando as pontiagudas sensações de desespero fazem que, acreditemos que deveríamos parar de lutar contras as dores artríticas e indesejáveis de um amor que, como a nau em pleno oceano revolto começa a fazer água e aparentemente tende afundar?
É sempre bom darmos algumas novas chances, lutarmos por alternativas e procurarmos, acreditando que, uma agulha num paiol perdido pode ser sim, achada, se nos espeta o pé ao acaso e isso prova que, uma dor circunstancial pode ser a descoberta de novas soluções que irão determinar novas e prazerosas experiências.
O amor, às vezes, aposta no outro extremo e procura soluções em situações incomuns e opostas, até mesmo inoportunas, mas se alguém tiver por aí a fórmula do amor e o do amar perfeito que, atire a primeira pedra
E não vale ser polvo nesta situação, pois, talvez de tantas que poderá atirar, é provável que possa vir a ser soterrado por elas mesmas!
Como vêem ter só dois braços é muito melhor para abraçar depois que, o elástico não arrebenta.

POR ENTRE O SAGRADO E O PROFANO





 Por entre o sagrado e o profano velejam corações ora indecisos, ora convincentes, levando leves ou pesados fardos e cargas de amor ou de nenhum amor, pelos mares das fantasias afora, querem edificar as suas vidas, colocar cores nos cinzas enfadonhos do dia- a- dia, buscarem emoções, extrapolarem sentimentos prova inequívoca de que, afinal ainda estão vivos!
Por entre o profano sopram os ventos dos gozos em delírios desconcertantes e o trincar de dentes incontidos, mordidas de lábios em sofreguidão de desejos movidos pela avidez e impaciências querendo numa tarefa inglória segurar o que vai explodir em chafariz de regalos saídos da intimidade da carne.
Prazer!
Por entre o sagrado navega a embarcação rumo àqueles olhos quase divinais de uma mulher que será tudo, quer ser tudo, impondo-se sacrifícios, aceitando desafios, lutando e relutando contra as hostes inimigas dos piores momentos, enverga, mas não quebra,acredita no amor.
Que bom acreditar!
Por entre o profano agarram-se as nuas naus que desejam atracar sem pensar nas consequências e querendo somente que ancoras afundem naquele corpo arenoso de paixões incontroláveis, objetos de todos os desejos, de todas as luxurias, o quanto mais possa ser inclusive, de loucuras as mais benditas, loucuras de corpos como tantos outros  ou dedicados a um só corpo.
Opção de vida. Estratégia afetiva, querer tudo, todas...
Por entre o sagrado continua a velejar a nau da vida e agora correndo o risco de ver um corpo antes só de mulher transmutar em dois, com mais um dentro.
Não se multiplicam só os pães.
Por entre o profano a viagem continua interminável e certa irresponsabilidade consentida vive na cabeça das pessoas em só usufruir, acumular, consumir e ter que pagar um preço alto, mas isso não importa para quem pensa baixo.
Por entre o sagrado todos se  apegam a um ser superior, ponte de salvação, pedem,vivem pedindo, poucos dão, muito pouco ou nada reservam para terceiros, egoísmos superiores, nem parecem viver com os outros.
Isso é desamor.
Por entre o profano continuam as guerras, matanças, vinganças, falta sensibilidade e a razão escoou pelo ralo dos interesses, jogam bombas, jogam tudo que mata a esperança de vida da criança que não será adulta.
Caminhamos assim entre o profano e o sagrado e quem sabe um dia o amor seja a única arma,o método mágico que agregue, una, some, sem haver necessidade de depois dos pecados, sejamos obrigados a rezar e só para reparar culpas.
Isto porque quem ama vive em contato direto com a paz da sua consciência, independente de velejar seja por entre o sagrado ou o profano.

AINDA É NO PRÓXIMO PONTO.





                               
Eu não vou cair - mesmo que eu quisesse e nem quero- afinal é na luta que continuo a me manter uno, integro e multifacetado em possibilidades de ir por aqui ou por ali, porém, sempre de pé!
Já lutei contra todos quando eu era sozinho, com a chuva sabendo que podia me molhar, com o sol e tanto feri a pele que descascava em absurdas peles, peles velhas e danificadas, mas, só por esta razão reconstruí o meu corpo, encapando novamente o meu todo.
Abro os braços quando sinto amor, abro os braços quando quero amor, abro o berro se faltar braços que me abrace e amor que, não me ame. Sou assim!
Não sou o melhor e quem é? Muito menos a referência, detesto servir de exemplo, prefiro os pouquinhos de cada coisa e que me deixe amar mesmo estando tudo errado, o olhar que me deixa olhar, sempre na hipótese e fantasia de ter sido o primeiro e o melhor. E se sinto assim  nem caibo em mim de tanto orgulho.
Então se é manhã acordo, se é tarde continuo, mas a noite queria tanto que fosse só para você sem precisar continuar a lutar sem eira e nem beira, apesar de tanto orgulho, queria que fosse sempre o seu chamamento e nunca minha forma de implorar. Que cesse então o castigo.
Loucos somos todos nós nestes desvarios passageiros de uma vida com prazo de validade e, nem vou falar sobre isso, detesto.
Gosto é do jeito gostoso de ser eterno festejando no seu amor, debruçado no seu corpo, boca colada em sua boca, arte de fazer explodir desejos no ritmo cadenciado escutando os batuques de uma harmoniosa sensação que nunca vai acabar, de corpo contra corpo.
Se falta isso volto a lutar, não tem jeito, sou assim apesar dos pesares me sinto muito bem sendo assim,pois, não encomendo a domicilio, vou sempre às compras, dá mais trabalho, porém, vou buscar o que quero, na medida certa da minha vontade, onde junto do com as minhas certezas eu me acho sempre ganhando,dividindo com elas as mesmas calçadas.
Sozinho, morro!
E custa compreender que você é toda minha certeza, minhas calçadas, minhas razões, meu orgulho de tudo, uma chuva serena que só molha minha terra quando seca e necessitada?
Não existe fim se este olhar cruzar sempre com meu, e nem adianta ficar longe para manter o escudo da razão atendido, nem adianta, pois, o que aqui está em jogo é a verdade das emoções e estas, nos quer juntos, eternamente aflitos por causa de nada e por causa de tudo.
Tem que haver as causas sejam elas quais forem. As causas da vida, as causas da luta, as causas que nos motivam a continuarmos de pé.
Sem lutar morro. Não  posso morrer.
Sem lutar acabo em esquina errada de uma calçada qualquer e por enquanto, a única na qual eu quero andar é na sua.
Entenda que, ser forte, não é poder construir muralhas ao redor, ser forte é continuar amando e se você duvida, olha para o lado.
Estão todos soterrados debaixo das imensas muralhas das próprias intransigências que desabaram.
Todos os que insistiram em não lutar até a última chance de continuar vivo e feliz.
É por termos chegado até aqui que eu posso lhe garantir que, ainda não é o ponto final.




VIVENDO A SÍNTESE.






                                                          Há criaturas que chegam aos cinquenta anos sem nunca passar dos quinze, tão símplices, tão cegas, tão verdes as compõe a natureza; para essas o crepúsculo é o prolongamento da aurora.
                                                                                                                                   Machado de Assis.

Pedir para alguém apagar das suas lembranças o que foi vivenciado, seja qual for a  quantidade das suas experiências afetivas, é o mesmo que querer proibir o fato de continuarmos a respirar, supondo-se que, o ar que tenhamos respirado ontem, já tenha sido suficiente para nos manter vivos,hoje.
Somos envoltos e sempre em necessidades renovadas, emoções diferenciadas, sentimentos que teimam em brotar das nascentes eternas das nossas necessidades reais ou fantasiosas.
As experiências do passado podem conter sábios ensinamentos e dela extrairmos as melhores referências para que, tenhamos novos comportamentos mais compatíveis e adaptados com nossas novas vivencias  e desta forma,facilitar melhores soluções de vida no presente.
Mas, devemos observar aquilo que é essencial nesta convivência.
O cuidado de que, algumas vezes insistimos em viver aquelas experiências passadas de uma forma sempre igual e  tendo para elas,  reações e respostas que antes já não foram as mais adequadas, como se um cachorro estivesse correndo atrás do próprio rabo.
Então, corremos o risco das repetições que não deram certo e, vivenciarmos muito pouco aquilo que, nos daria a chance de crescermos interiormente, para continuarmos e por diferentes formas de aprendizado, a acumular bens de valores interiores apropriados e convenientes ao nosso equilíbrio emocional.
Quando insistimos em repetitivas respostas e não apropriadas às nossas novas realidades, um jovem pode ter experiências acumuladas de vida, muito superiores aos daqueles cujas fases cronológicas já começam a deixar para trás os tempos idos e no horizonte e o ocaso começa a se aproximar no céu das suas vidas., mas continuam imaturos em suas reflexões.
Viver realidades aprendendo com cada uma delas a ter soluções diferenciadas de adaptação aos novos tempos isto sim, seria um sintoma evidente de maturidade.
Quantos de nós vivemos toda uma vida, enclausurados numa mesma reação, ante uma mesma situação?
Acreditar no amor, é acreditar que ele ensina e facilita as respostas, aponta para as melhores opções, coloca o dedo indicador na direção correta das decisões.
Afinal, quem ama compartilha, quer ser companheiro, cuida e não se cobre de pejos ao ser igualmente cuidado, pois, sabe que aquela resposta é a síntese de um afeto explícito.
Aqui então a palavra mágica, pois, é esta síntese das nossas emoções que, representam muito mais do que uma soma mecânica de trocas rotineiras.
Quando somamos afetos, estamos apenas e de forma cumulativa, tratando com quantidades das rotinas diárias e a síntese é qualidade, uma nova e apropriada dimensão de entendimento.
Síntese, não é um mais um.
Na síntese, um mais um, enseja o aparecimento de outros planos qualitativos de relacionamentos desenhados nos traços certos das lições pretéritas aprendidas.
É  no amor, que esta síntese dos nossos aprendizados, se evidencia e se constrói, a cada novo tijolo de sabedoria acrescentado.


  

METÁFORAS DO AMOR.




Como tocar o seu coração, se não for através das metáforas?
Este seu coração vivido, habituado a ver muitas vinte e quatro horas da vida  passarem, aprendeu também, a fugir  sempre das palavras diretas, explicitas e passou a optar por formas indiretas de entendimentos.
Ele prefere a metáfora, esta poderosa figura de linguagem usadas em sentidos  diferentes e que, não seriam as mais comuns,para expressarem nossos pensamentos, mas que, as usamos pelas suas semelhanças ou representações figurativas entre dois termos possíveis  e tornarem, também, mais leves a compreensão do que precisamos externar.
Então, quando eu lhe digo que estou amando de forma tão intensa como um brilhante e vigoroso raio de luz, estou metaforicamente dizendo o que sinto bordado com palavras outras.
E pelo meu amor por você, merecer todas as metáforas possíveis que, ao vê-la descubro que seu imenso azul do céu da sua existência não é tão radical.
Descobri nele manchas de nuvens imensas que abrem brechas entre umas e outras pelotas de algodão de sua firme sentinela sentimental, brechas admiráveis para quem souber, medir exatamente a velocidade e direção dos ventos que levam estas nuvens , inevitavelmente, para o lugar mais frágil do seu poderoso,retilíneo e bailado corpo e, este lugar continua sendo o seu coração.
Então, depois que percebi isto e desta forma, o que era um portal imenso de madeira de lei deste seu castelo medieval intransponível cedeu lugar a uma entradinha florida, generosa e sempre facilitada quando os meus propósitos são de carinhos e afetos os quais não suporto viver longe deles, muito menos longe de você.
Antes, sempre que via você de longe procurava também entender como transpor aquelas muralhas fortificadas  das suas mais legitimas formas de defesa , construídas após ter passado por tantos sofrimentos pretéritos, e sempre à procura desta tal da felicidade, com movimentos de força, no seu presente de esperanças.
E confesso que sempre estive enganado, pois, é a suavidade que move suas boas vontades em quaisquer momentos, e não, as possibilidades de confronto.
Na verdade, são muralhas, não de barro, argila e pedra compactadas, mas sim, de amontoados imensos de sabedorias acumuladas e quem souber conversar com as paredes, penetrarão em você, sem o menor esforço.
Eu começo a penetrar!
Mas que o faça, com muito cuidado, pois, a construção é sólida e deixa de ser maleável sempre  que não houver sintomas evidentes de querências,dedicação e respeito, aliás a fórmula inevitável para que sobreviva, qualquer forma de amor.
Não é fácil, pois, em principio todos nós temos dificuldades de entender as engenharias  do coração,suas complexas equações , receios das matemáticas confusas que a fundamentam , acharmos que  não entenderemos as álgebras  que, se fundem em massa forte e quase inexpugnável destas suas defesas, mas eu me gabo que aprendi a resolver as incógnitas das suas resistências sejam, os dos seus ângulos mais obtusos ou daqueles outros mais retos e  generosos.
E nem estou falando das suas curvas!
Levei tempo, mas finalmente hoje conheço exatamente, os valores de x e y das nossas vidas e, portanto, acabaram-se as incógnitas que andaram dificultando o  nosso amor.



JARDIM DA ALMA.



                                                   

Posso atrever-me em perguntar como vai este jardim plantado na sua alma?
Desculpe, não é intromissão na sua privacidade, mas estou apenas querendo saber que cultivas mais flores e de que tipos, os tamanhos, as suas fragrâncias, só isso, pois, tenho tido a impressão de que, como não chove emoção há muito tempo em você, quem sabe a terra esteja árida, rachando, inóspita.
Se for assim, não se habitue as estas péssimas condições, elas matam qualquer florada, e sem floradas não existem pólen, sem pólen escasseia o mel e escasseando o mel que, gosto amargo fica na boca, na vida.
Concorda?
Tenho tido a impressão que aqueles lírios que ficavam logo na entrada do seu jardim devem ter crescidos e as rosas, plantadas um pouco mais lá atrás devem estar multicoloridas em brancas, vermelhas e amarelas, mais das amarelas, muito mais das amarelas, afinal estas são as suas favoritas.
Queria saber também se predadores têm prejudicado o crescimento delas, infestando-as de maus agouros, grilos indesejáveis, saúvas oportunistas, invejas pequenas de quem nunca cultivou flores, jamais dormiu com o insubstituível aroma dos jasmins do cabo, fartos, em cachos, generosos, parecendo querer cobrir a vida de branco emoldurando em perfume tão desejável, todos os ares que respiramos.
Vou lhe confidenciar uma intimidade: Jasmins me excitam, acho que é por me lembrarem a pureza do branco, a timidez que vejo nestas flores frágeis, a abertura encantadora de suas pétalas ensejando a facilidade dos beija-flores ao penetrá-la, sugá-la, alimentação sublime de um néctar que dá vida.
E como melhora a pele!
Amor de pele esfrega em poros, esquenta em sensibilidades, implode em jorros de prazer de vida, alternativa única de sentir a eternidade.
Mas não queria tergiversar tanto, ir mais longe do que deveria, nem atravessar outros oceanos de fantasias e muito menos tentar encontrar estrelas habitáveis no céu.
Não, não quero isso agora, agora quero somente saber como andam as flores do jardim da sua alma.
Regadas?
Faça isso sempre, não perca para o desânimo afinal, todos nós sabemos que, quando alguma coisa vai mal nas nossas vidas a primeira da qual esquecemos é continuar a dar vida às flores das nossas consciências.
Se as nuvens das tempestades não passassem, teríamos um dilúvio por semana e isso não é verdade, houve um só e, outro, vamos torcer para que não se precipite de novo.
Também, a maioria dos vulcões das nossas mentes está aparentemente extintos, para que provocar suas possíveis e teóricas erupções novamente?
Deixemos o Vesúvio em paz e, Pompéia soterrada, não deverá ser repetida, pois, o calor das suas lavas e o devastador efeito do seu magma, é insuportável.
Todo bom compositor gosta de dizer que, para não dizerem que ele nunca não falou de flores, enaltecer em versos e harmonias outras a gardênia, margarida, rosa, girassol, tulipa e...
Não, esta flor eu não vou colocar aqui, esta última espécie de flor é minha, tem o seu nome, e só é encontrada no jardim que plantei, não na minha alma e sim, no meu coração.
Ela é única, mas sobre pedra,jamais iria florescer.

DEIXA COMO ESTÁ.







Perdido em tentativas, debruço sobre a mureta farta das minhas ansiedades reincidentes de um amor que é muito mais vasto do que eu e nem cabe mais, em mim.
Porém, estou na divisória entre a mureta que aqui ainda me contém, e me deixa seguro e outra alternativa que, tenta me remanejar  para outras realidades,mas lá embaixo a evidência de um precipício que mataria em mim todas as maravilhosas visões fantasiosas,ou não,das minhas preservadas felicidades.Então, não pulo.
E ficar aqui, sem movimentar, sem impulsos para me jogar é aceitar, por outro lado, todo o entorno como ele é, e como ele é às vezes vem a compulsão de querer transformá-lo.
É como se deitado na grama de um vasto gramado de um  amor pretensamente eterno, esperasse que num céu sem ser finito,  algo se mova , e eu percebendo isso pudesse criar em mim ,também, outros movimentos de oportunidades para mudar isso ou aquilo.
Ou seja, espero pela estrela cadente que substitua num curso sem fim, o fim das minhas limitações, pois esta é a verdade e, mais uma das essencialidades e facetas do amor.
Quem ama percebe-se diluído no infinito do curso das estrelas cadentes, gerando fantasias imprescindíveis a manter-se neste imaginário oráculo dos deuses que você sempre acha estarem disponíveis e o escutando, porém quando tosse , espirra ou sente sono, entra então a realidade das sensações finitas, e aí?
Você pula a mureta?
Confundem-se tudo novamente e dor, amor, bom, mal, bem, tristeza, alegria, saudade antecipada na presença, saudade da presença que irá, felicidade finita, momento que acaba e outros que nunca acabarão, pois jamais existirão,começa tudo isso a jogar contra ou a favor.
Força, fraqueza, motivação desânimo, calor, frio, ritmo, marasmo.
Afinal, o que impede que se pule a mureta quando o amor não cabe mais dentro de nós, quando ele ficou  maior do que nossas próprias concepções e racionalizações dele, o que impede?
Impede é a certeza de que o pulo sepultaria também, todas as nossas felicidades conquistadas e, mesmo deixando para trás alguns males, criaria outros irreversíveis e imperdoáveis, sendo o mais cruel, a solidão.
Matar um amor é crime qualificado e hediondo, pois não se dar chance de defesa a sentimento tão maior que nossas limitações e dele sempre ficarmos pretendendo nos revoltar em atitudes que envolvem controle e segurança, acaba o inviabilizando.
Não podemos sugar do outro a felicidade que não temos para cambiar, não podemos querer que, a quem amamos substitua a essência das nossas improbabilidades em vermos no céu a estrela cadente que não tem percurso verdadeiro dentro de nós.
Dialética eterna, entre amor e falta, dentro e fora de nós, e no amor que identificamos, no outro abundante de conseqüências e que em nós, falta.
Não existe transplante de felicidade.
Existe sim, o verdadeiro, o possível, e o verdadeiro e possível será sempre a possibilidade de síntese entre o que ama e transborda possibilidades e do outro que também, transborda amando e na mesma proporção, sentimentos iguais.
Não existem cirurgias mágicas em corpos que estão secos do nada.
A simbiose, troca, compartilhamento só se evidencia e marca território entre amores que se nutrem da mesma seiva, alimentadas pelas mesmas raízes profundas de cada um, em seus próprios corpos, fator maior e suficiente para dar e receber.
Escravidão de amor é pensar que podemos colocar garrotes em outros e colocá-los em troncos e pelourinhos chicoteando impiedosamente suas liberdades.
Neste caso quem irá sangrar , seremos nós mesmos.

PODEMOS COMBINAR?

                                  



Um dia o sol acordará coração e nuvens no céu estarão disponíveis para ele como mantas brancas de afeto, envolvendo e protegendo aquele corpo pulsante de calor, com batidas compassadas, sempre ansiosas, à espera que a noite possa chegar.
E com ela a sensual imagem de uma lua mulher desnudada em corpo e luz, de seios fartos, ancas generosas e boca atrevida, obstinada pela certeza de uma dança inesquecível,naquele encontro celestial único.
Então, os dias e as noites serão uma coisa só, sem divisão, nenhum antes do outro, jamais aquele esperando por isso ou aquela na expectativa daquilo outro, como se uma grande e única estrada estivesse se abrindo no infinito dos firmamentos e os braços abertos de todas as estrelas os convidassem para o vinculo de uma caminhada só, sem solidão e definitiva.
Cântico coral de muitos astros se reunirá e os ecos de tão belas harmonias invadirão nossas vidas.
E pensar que tudo isso será feito em nome do amor.
E não será muito, nada nunca será muito para fazer ferver o amor no tacho mágico da feiticeira sábia ou da fada madrinha, entre gnomos brincalhões.
A brincadeira é a coisa mais séria em qualquer amor, aquilo que afasta a mesmice, enxota os sapos zoiudos, as cobras astutas, os vitupérios, as injurias e maledicências invejosas dos terceiros, alguns sempre do contra.
Ser feliz é eleger o amor através do sufrágio universal das nossas trocas de afetividades constantes, depositadas em urnas lacradas pela maior motivação que pode e deve mover o ser humano em direção à sua própria transcendência, quando ele tira o pé do chão e alça voo rumo ao esperado encontro.
Democracia alada da alma!
E ser feliz no encontro é olhar o sol que, agora transmutado em coração, abraça a lua mulher desnudada,simples, complexo, reto, sinuoso e contraditório.
O amor que não souber conviver com o contraditório e defender-se sempre das probabilidades indesejáveis dos afastamentos, é apenas submissão.
Afinal, o verdadeiro amor é muito melhor que cheiro de terra molhada por aquela chuva fina providencial e tão agradável como um grande final do Cirque du Soleil.
É aquele amor que não se rende às evidencias imprecisas.
Não aceita o inevitável como verdadeiro, pois, para quem ama, tudo pode mudar, e se não muda, não era amor, se não pula por cima das futilidades eventuais, não era amor, se não é capaz de superar momentos pífios por outros melhores era apenas uma simples acomodação de corpos, inútil, insossa, motivado por ânimos equivocados de carências quaisquer, ao preço de um e noventa e nove nos comércios das esquinas dos desencontros.
Podemos combinar então que eu seja um sol, acordando coração e você a lua desnudada em corpo e luz?
Se puder, puxa aí esta manta branca das nuvens da fantasia e quem sabe de ladinho, encontremos a melhor posição para vivermos a eternidade dos nossos sonhos.
Assinado, seu gnomo brincalhão.







UMA RECEITA DE AMOR.


                              

Então se viu um mar tão verde e nada de azul que, parecia folha de abacateiro e sempre ondulado em formas de mulher sedutora com níveis extremos de muitas oscilações sensuais.
Era um mar mulher diferente, com ondas de desejos fortes e incontidos.
Coisa para homem ver e se enfeitiçar.
Viram-se muito mais coisas e que, nunca antes se vira, pois os raios de sol às vezes e com severo rigor, ao refletirem na lâmina d’água e espraiando-se nos olhos de desatentos frequentadores, impedem a surpresa de eles verem aquele tanto de beleza e imensidão plena da mais pura altivez natural, uma visão de deslumbramento que só um verdadeiro amor desperta e, nos escolhidos.
O sol que ilumina também ofusca.
Mas,quando toca na água e toca no coração,através dos olhos de quem os vê, a vida então começa a fazer sentido e a felicidade provocada, ensaia fortes passos de aproximação, sem pejo nem pudor de chegar, nem de nenhuma outra forma tímida de arranjos que, possam impedir a possibilidade de que, tudo aquilo que os cerca conspire e grite: Vem!
Há momentos que nem precisam ser descritos, apenas sentidos, apenas vividos, ficando as palavras em descanso merecido.
Mas será possível mesmo passar sensações, afetos e sentimentos sem elas?
Sábias palavras de interrogação!
No entanto, considere que fortes palavras, por vezes inconvenientes podem ser o silêncio, podem sim, o silencio pode ser também, contemplado apesar das muitas palavras, pois, palavras que não façam sentido, silêncio é.
O meu mundo assim passou a ter você no colo,em silêncio, acariciando sua beleza, reverenciando seus melhores dons de generosidade, maturidade, inteligência e invulgar capacidade de entrelaçar meus sentimentos nos seus, num bater compassado de uma alegria em mim, mas que agora, já começava a despertar a atenção, não só do mar, mas de toda a natureza.
Ora bolas, como fazer crer a natureza que nosso amor não queria confronto, nem queria ser melhor, nem queria competir com tantas nuances extraordinárias de beleza de outros mares, e de tantos outros céus!
O jeito foi aprender a olhar para dentro de nós mesmos  que também, somos a natureza e todo o resto somos.
Essa era a receita, pois, todo o resto, sem nada que pudesse nos ver como um olhar de soslaio e de ameaça, pacientou-se.
Vieram os pássaros com palha nos bicos para ajeitarem seus ninhos, vieram os peixes em cardumes generosos, vieram os verdes, azuis, amarelos e tudo dos encantos da vida, vieram.
Os desdobramentos, a pura fantasia de um carnaval de todos os dias também.
Nada melhor que, jamais querer confrontos com a natureza, jamais querer tanta publicidade para o mundo, pois, amor que se fez pede proteção.
E esse tipo de amor, ao contrario de todos os outros não se divide, a não ser entre dois.
Acrescente agora, uma pitada de sal, leve ao forno da felicidade e deixe dourar.

OPÇÃO DE AMOR.

                                                 

Nossos corpos imitam a vegetação da natureza. Temos rios internos que caminham com a seiva da vida por todas as partes irrigando nossos órgãos. Sobrevivemos então.
E guardamos também dentro de nós muitos vulcões, aparentemente extintos. Apenas aparentemente!
 E o que dizer de uma imensa floresta com nutrientes variados para manter de pé esta árvore da vida que caminha conosco desde o nascimento. Somos árvore, também.
Fortes troncos que sustentam imensas copas de folhas e até flores de tantas e variadas cores.
A vida humana fica sempre refém das integridades das margens dos nossos rios internos que, podem receber muita água em suas nascentes, pelo inesperado de tempestades ocasionais e que, engrossam suas águas e parecem que levarão tudo a perder.
Aquele vulcão sempre sob controle e que, parecia nunca mais iria explodir, um dia começa a fazer muito barulho e dentro de nós tremem todas as nossas convicções que parecem estar sendo engolidas pela nuvem negra de lava expelida em golfadas incontroláveis, da sua cratera enraivecida e exposta.
Nossos imensos buracos de dor!
E possível, também que em torno do tronco que mantém de pé nossas vidas, comecem a vicejar todos os tipos de ervas daninhas que grudam ali, parasitariamente e enfraquecendo toda a nossa saúde, sugando a seiva da alimentação vital da sobrevivência de tantos sonhos construídos e antes, sob a sombra generosa de uma frondosa proteção de verdes folhas de esperanças.
Vamos secando e parece irremediável que, a ação dos ventos fortes das incertezas e contrariedades quebre toda nossa estrutura em um momento de fraqueza.
Seríamos somente isso? Estaríamos sempre condenados e indefesos a qualquer mudança na ecologia dos nossos sentimentos e emoções?
Não, pois é hora de olharmos para o voo dos pássaros!
Necessário de faz então nos desprendermos do solo que está começando a desfazer-se entre brechas secas de um árido momento de desilusão.
Chegou a hora de transcendermos das amarras que nos prendem encurralados no canto escuro de uma situação adversa e com as asas enroscadas nas nossas próprias inseguranças.
É hora de mais uma vez olharmos para o voo dos pássaros.
Então teremos a certeza de que, eles também são parte da natureza como nós, porém distantes das armadilhas que nos prendem aqui embaixo.
É o momento de transcender, romper limites, criar novos espaços e outras tantas possibilidades que abram novas janelas, na infinitude da sua grandeza.
Que o faça voar como os pássaros e ver de cima o que, estava destruindo sua felicidade.
Transcender então seria colocar em ação aquele conjunto de atributos próprios e, ainda escondido nas reservas finais de nossas forças.
É hora de usá-las!
Mas seria de bom tom, de muito boas maneiras, e um ato definitivo de inteligência que, para desprendermos, transcendermos e voar mais alto do que todas as nossas mazelas  humanas, aceitássemos dar as mãos àquele que conosco voará por todos o céus das nossas novas vidas: Deus.