QUANDO ME FIZ HOMEM , CHOVIA.



                                                                         
Lembro que, como um todo, meu corpo já não era mais o de uma criança.Agora já não preferia mais a exclusiva amizade de meninos.Queria as meninas,conversar e tocar nelas, sentindo a diferença da maciez da sua pele em relação a minha.De forma demorada percorria o contorno dos seus olhos, o volume daqueles cabelos,e fazia um ponto de parada obrigatória nas suas bocas.Isto me excitava.Impreterivelmente.Os lábios delas pareciam estar sempre,convidando os meus.Os via entreabertos e molhados.Era a boca  dos meus desejos.Ali começava o corpo de uma mulher.E tinha a certeza de que os desejava por impulsos incontroláveis de força interna que explodia,avermelhava meu rosto,queimava a ponta das minhas orelhas,acelerava minhas batidas cardíacas.Era tudo muito novo.E o novo amedronta.Minha vida agora seria diferente daquela que brincava sob o reinado infantil.Acabara minha inocência. Olhava para os ventres delas e pensava como nós tínhamos o poder.De nós dois, mas um viveria.Uma irresponsável euforia que me arremessaria sobre corpos ávidos daquilo que eu desejava, também.Era um adulto.Quando eu me fiz homem, chovia.Eram as minhas próprias lágrimas que molhavam o chão da minha vida.E escorregando aqui e ali,acabei conhecendo o amor de uma mulher.Era mais do que uma boca, um ventre.O amor de uma mulher seria a minha própria vida.Então morri muitas vezes.E sempre que renascia, nem me lembrava do tombo anterior.Assim foi e continua sendo até agora.Mas,neste momento,parece que não é só uma chuva que se aproxima,mas talvez as intensas águas de um intenso temporal.
Adultos tem que aprender a  conviver com os seus temporais afetivos.

8 comentários:

  1. Temos de facto. Mas há coisas difíceis de entender. Principalmente quem se perdem muitas vidas!

    Bom texto!

    Beijos

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    1. CIDÁLIA,

      CHOVIA MESMO!!!

      UM ABRAÇÃO CARIOCA.

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  2. Creio que os "temporais afetivos" servem para uma "medida meteorológica" do nosso coração. Na medida certa faz bem.
    Abraço.

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  3. CÉLIA RANGEL,

    este é o problema, a questão da medida, se for na medida certa tudo bem, mas temporais em geral causam enchentes.
    Um abração carioca.

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  4. Excelente texto!! Amei ler. Parabéns pelas lindas postagens

    Beijinhos Bom Domingo

    http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/

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  5. CIDÁLIA,

    excelente semana pra você.
    Fique com Deus!
    Um abração carioca.

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  6. Oh Paulo, conter impulsos é medida certa, nem tudo que desejamos é possível realizar. Primoroso relato de um rapazito ardente!!
    Noite de Paz.
    Abraço!

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  7. PARAÍBA PARA O MUNDO,

    impulsos incontidos de uma explosão hormonal incontida como se anunciasse a mais plena aptidão humana para experimentar e se deleitar com aquilo que é tudo na vida:O amor!
    Gratíssimo pela visita e temos que colocar a Paraíba numa das cadeira da ONU.
    Um abração carioca e que pena não poder dizer que o Rio de Janeiro já não continua lindo como foi.

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